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Saudade Amiga... J.J. Oliveira Gonçalves Numa noite a saudade À minha porta bateu Perguntei-lhe o que queria Mas ela não respondeu. Entrou dentro de meu peito Se adonou do coração Porque a saudade tem jeito P’ra enfrentar a solidão... ................................................... Foi passando lento o tempo E a saudade se esqueceu Que ela também sofria E em meu coração... morreu! E hoje que estou com jeito De quem perdeu uma amizade Choro lágrimas amargas Por ti, amiga saudade!
*Primeiro texto publicado, ao lado de uma entrevista para o Jornal “O Elefante”, Nº 1, pp. 5, abril/1963, da União Bageense dos Estudantes Secundários/UBES - Bagé/RS.
Escrito por jjotapoesia às 20:24:02
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Protesto & Paz! J.J. Oliveira Gonçalves O verso é meu voto de protesto Que veio ele, assim, pra protestar! E cada texto meu é um manifesto E a Lira faz-se Espada a sangrar! Guerreiro sou do Fogo - que reluz E esgrimo contra o Mal e a Escuridão! De Camelot a cena ainda seduz: A Honra! A Lealdade! Um Brasão! A rima é meu jeito de gritar Ah, contra a Injustiça que escraviza Que o Estro em sua demência enfatiza! A Paz ainda engatinha - é uma Semente Precisa de cuidados - e somente Da Verdade adubada há de vingar! Porto Alegre, 04 de janeiro/2008. 12h49min -HS jjotapoeta@yahoo.com.br - www.jjotapoeta.art.br
Escrito por jjotapoesia às 20:22:03
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Maysa Ainda Canta para Mim... J.J. Oliveira Gonçalves Ainda menino-adolescendo, Maysa cantou "Ouça" para mim. Claro, sua voz cantou para meus ouvidos... Seu coração, porém, sussurrou ao meu. E sua Alma recitou para o encantamento de minh'Alma. Depois, de "Ouça", Maysa cantou outra beleza de samba-canção que não consigo lembrar. Como disse, eu era um menino-adolescendo. Vivia numa vila, lá em Bagé. Tenho a noite calma e nostálgica (eu já sentia nostalgia!) em que conheci Maysa... Tenho o quarto de meus pais. Os objetos. (Agora, dou um profundo e tristonho suspiro). De Saudade e de Distância... Faz parte. De mim. (Da Vida...) Criei-me ouvindo rádio. E, ali, sobre o criado-mudo, estava o rádio... Companheiro das horas alegres. Das horas de recolhimento. Mesmo das horas de tristeza... Então, a música parou e o locutor disse: Estamos apresentando Maysa Matarazzo. Realmente, nunca havia ouvido essa nova cantora. Eu a estava conhecendo, então. Rodou todo o LP e, dentro de mim, criou-se um vínculo de admiração e Encantamento. Que ficou - para sempre! (Quando Maysa morreu, sei que algo se quebrou dentro de mim... Todavia, não foi esse vínculo... Sei... foi a Dor que desmoronou parte de meu ser-humano... Aliás, tantos desmoronamentos já doeram dentro de mim...) Maysa cantou (ou sussurrou?), sim, para mim suas belíssimas canções de Dor. Suas canções de Distâncias. Suas canções de Ausência. Suas canções de Ternura. Adolescendo, embora, meu coração já entendia o coração de Maysa. Assim como, aos poucos, meu coração foi entendo o coração romanticamente Sofridos! Ah, apesar de toda essa mensagem triste e dolorida, minha adolescência ia se enriquecendo. Precocemente, acredito, comecei - embora em meu silêncio respeitoso aos mais velhos - a ser o contraponto para as coisas certinhas, para as filosofias otimistas, para as coisas de faz-de-conta da Vida... Mesmo para as hipocrisias veladas e os cinismos enrustidos! Até hoje, para mim, Maysa é aquela voz quente, rouca, dengosa que canta para mim... Agora, para meus cabelos encanecidos, para meu coração (des)amado, para minh'Alma mais sábia e experimentada pelas pedras do caminho... Creio que, tanto tempo passado, alguns, finalmente, entedem Maysa. Poucos, porém, como eu, sempre entenderam Maysa. Maysa era uma mulher bela, arrojada, temperamental, terna - sim! - e demasiadamente inteligente e corajosa para sua época. Se falavam mal dela... Bem, das más línguas, da inveja, quem, realmente, escapa? Minha adolescência foi bela! Meus Anos 60 foram brilhantemente Dourados! Que culpa eu tenho de ter sido feliz numa fase em que (quase) todos se queixam dos pais, de repressões, enfim, de problemas mil? E todo esse perfumado Jardim da adolescência eu o ainda guardo com indescritível carinho, no Etéreo da Alma... no recôndito do Coração! Obrigado, Maysa! Valeu! Fizeste a minha adolescência mais bela! E com tua voz, tua canção e tua Paixão, me preparaste - sem saber!- para os golpes, sem remédio, da Dor do Existir! Maysa cantou para mim, uma noite... Continuo a ouvi-la. Com o mesmo carinho. Encantamento. Agora, mais vivido. E mais doído - com certeza! Porto Alegre, 09 de fevereiro/2009. 19h37min - HS jjotapoeta@yahoo.com.br - www.jjotapoeta.art.br
Escrito por jjotapoesia às 20:20:53
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Quando Choram... J.J. Oliveira Gonçalves Quando choram, teus olhos-esmeralda Pingentes que eles são - lembrando o Mar São mais belos, ainda, ó, Bem- Amada, Chorando, assim silentes: meu cantar! Quando choram teus olhos, meu Amor, Eu quero mais ainda te abraçar! Cada lágrima tua é minha Dor E cada verso meu quer te afagar! Por que choras, assim, ai, tão dolente Sem motivo aparente - ou explicação? (Só o sabe o feminino coração!) Poetas, quem decifra essa Alma Que chora de mansinho e só se acalma Depois de conversar, (a sós!), co’a gente? Porto Alegre, 06 de janeiro/2008. 18h38min - HS jjotapoeta@yahoo.com.br - www.jjotapoeta.art.br
Escrito por jjotapoesia às 20:18:58
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Ó, Mãe Maria! J.J. Oliveira Gonçalves Fazer-Te uma Oração, ó, Mãe Maria Confesso que eu queria... esqueci! De mim eu me perdi, por onde andei... Mas, juro, noite e dia, penso em Ti! Era tão bom nos tempos de guri Tanto Santinho eu tinha e carregava... E minha mãe, eu lembro, me ensinava Rezar ao Bom Jesus... Ah, como eu Cri! Mas, hoje, Mãe Maria me tornei Alguém que desconheço e nem mais sei Rezar como rezava, lá, então... Mas sabes que eu Te Amo, com certeza E ainda que um dia eu morra de tristeza Te entregarei, sorrindo, o coração! Porto Alegre, 21 de janeiro/2007. 18h51min - HS jjotapoeta@yahoo.com.br - www.jjotapoeta.art.br
Escrito por jjotapoesia às 20:17:55
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Rimas a um Sabiá do Meio-Dia... J.J. Oliveira Gonçalves O sabiá com seu flautim de mel: Doce acalanto a me embalar a Alma! Acordes amorosos dá – a granel De verdes pradarias traz a calma! Com seu flautim sonoro e afinado O sabiá – esse poeta e trovador Transporta-me aos alvores do Passado E aviva, sem querer, a minha Dor! O sabiá, embora assim contente, Tem, lá, suas tristezas... que bem sei Disfarça as Penas pra alegrar a gente! No verso, sabiá, que rabisquei Eu deixo este meu canto igual dolente Que teu cantar com meu chorar rimei! Porto Alegre, 25 de outubro/2009. 12h55min jjotapoeta@yahoo.com.br – www.jjotapoeta.art.br
Escrito por jjotapoesia às 20:16:29
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Em minha Solidão: Augusto... (Para Augusto dos Anjos!) J.J. Oliveira Gonçalves Em minha solidão eu ouço Augusto Seu jeito, assim, de pássaro molhado: A Vida, João? É spleen! Suspiro! É susto! Pena maior que expia um condenado! Se por aí, passei, foi sem querer Em meu sofrer terrível (de bastardo!) Quanto é difícil, João, sobreviver: Se brilha o Sol e é noite em nosso Fado! E se te atreves a escrever quimeras Se corajoso é o verso – e realista Ah, julgam-te um doente... e pessimista! E assim teus dias forjas nas esperas... Sem decifrar a Vida (esse Mistério!) Resta enterrar tua Dor no cemitério! Porto Alegre, 26 de outubro de 2006. 11h29min jjotapoeta@yahoo.com.br - www.jjotapoeta.art.br
Escrito por jjotapoesia às 20:14:49
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Vício! J.J. Oliveira Gonçalves O meu Amor por ti virou um vício Irremediavelmente, sem saída! Que assim: sensual, morena, apetecida És tu o meio, o fim, mas sempre o início! Poeta a te cantar os Horizontes Que alargo a cavalgar onipotente Sem fôlego te sinto... E incandescente A brasa de teu corpo em minhas noites! E nesse vício aceso e tão gostoso Que tenho de, inteirinha, assim te Amar O teu Prazer tu trocas por meu Gozo! Quem te esculpiu as formais tão sensuais Jamais curvas assim vai cinzelar Tão belas... tão roliças... tão sensuais! Porto Alegre, 02 de fevereiro/2008. 18h15min - HS jjotapoeta@yahoo.com.br - www.jjotapoeta.art.br
Escrito por jjotapoesia às 20:12:58
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Versos de um Pássaro... (Ao Sabiá de meu Sonho da Noite Passada!) J.J. Oliveira Gonçalves Deixei o ninho de meus pais, um dia, Bati as asinhas... Voei à Amplidão! Ah, no Infinito, a Existência ria... Ah, no Horizonte os Sonhos... a Ilusão! Eu conheci de Deus a Liberdade Vivi a Paz de doces descampados! Chronos me encaneceu... me deu idade Francisquinho benzeu-me os machucados! A Voar eu aprendi - isso é verdade Mas, do ninho paterno, que Saudade Experimenta, agora, o coração! No amanhã, serei Luz... Somente Luz! Me aninharei nos braços de Jesus Por Pássaros levado - em Comunhão! Porto Alegre, 16 de novembro/2007. 15h30min -HS jjotapoeta@yahoo.com.br - www.jjotapoeta.art.br
Escrito por jjotapoesia às 20:09:23
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*O Homem – Esse Mal-Agradecido! J.J. Oliveira Gonçalves O homem – esse mal-agradecido Despido de Amor mata a Beleza! Empesta Água e Ar... Bicho temido: Impõe Sofrer e Dor à Natureza! Ah, mísero e cruel e igual mesquinho Movido à arrogância e à ambição A árvore ele mata... e o passarinho Que sem seu Ninho morre na extinção! Não, o bicho-homem não está doente É que ele crê-se o tal e... prepotente Se vê acima, então, da Criação! Ah, Nietzsche, infelizmente, tem razão Quando afirma, em termos viscerais: O homem é o mais cruel dos animais! A esse homem que faz o que bem quer A árvore, lhe lembro: é uma mulher! *Soneto inspirado numa belíssima árvore "descascada" para morrer, à míngua, em lenta Agonia, à frente da Fundação Faculdade Federal de Ciências Médicas – Porto Alegre/RS. Porto Alegre, 12 de novembro/2009. 16h24min – HS jjotapoeta@yahoo.com.br – www.jjotapoeta.art.br 

Escrito por jjotapoesia às 10:34:25
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Sinais Vitais... J.J. Oliveira Gonçalves Pelos Sinais Vitais estou morrendo A causa? Este Amor de Perdição! Nesta Agonia, longa, padecendo Ferido, assim, de morte o coração! O Amor dá o Paraíso e ainda o Inferno É um verso de Florbela e é Maldição! É a brasa que aquenta no inverno É o zéfiro que abranda no verão! Quando adoece, o Amor ele é Paixão: O corpo, cai, padece... sai do prumo A Alma, vai, vagueia... perde o rumo! Que estrago fez em mim essa Ilusão Boba Ilusão de pela mão pegar-te E, amante à moda antiga, namorar-te! Ah, meus Sinais Vitais, que deletério É esse Amor que, Nu, faz-se Mistério! Porto Alegre, 12 de novembro/2009. 10h10min – HS jjotapoeta@yahoo.com.br – www.jjotapoeta.art.br 

Escrito por jjotapoesia às 20:39:39
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